Pages

23 Dezembro 2011

O dia em que percebi melhor o plano da redenção

Não tenho dúvidas em afirmar que muitas vezes Deus permite situações menos favoráveis não apenas para nos testar mas, acima de tudo para nos robustecer, apurar, refinar. Para mim, uma dessas ocasiões, porventura das mais marcantes, foi há um ano atrás: o nosso menino, o pequeno Caleb, foi internado no hospital após uma gripe, com suspeitas de poder ter um grave problema no sistema nervoso.

Como seria de esperar, o pequeno Caleb foi sujeito a alguns exames rigorosos. Entre eles estava uma punção lombar. Ele seria levado para uma sala onde nós, pais, não poderíamos estar, seria colocado na posição correta para o efeito, e o pessoal especializado iria introduzir-lhe na zona das costas uma agulha com a finalidade de recolher líquido da medula espinal.

Embora, segundo me recordo, lhe tenha sido administrada anestesia local, não seria sem dor que ele estaria, além do desconforto de não nos ter por perto, e ver-se rodeado de muitas pessoas desconhecidas e de uma série de aparelhos que lhe causavam medo. Contudo, eu sabia que não havia alternativa e, acima de tudo, aquilo era para o bem dele. Por isso, entreguei-o para as enfermeiras o levarem.

Provavelmente por acaso ou esquecimento, as portas para a sala para onde o levaram não ficaram completamente fechadas. Por isso, pude ouvir bem o choro e os gritos dele quando o agarraram e, com certeza ainda mais, introduziram a agulha.

Este foi o instante que jamais esquecerei. Ao saber e perceber o que lhe estavam a fazer, um único pensamento passou pela minha mente: se pudesse, estava lá eu no lugar dele!

Quando, alguns breves minutos depois, o processo terminou e ele acalmou, fui como que iluminado por uma luz que já tinha, mas, desta vez, numa perspetiva nova: eu fiquei a perceber, apreender melhor, o plano da redenção!

O que eu pensei no instante em que o pequeno Caleb se submetia ao procedimento, foi um mero e simples reflexo do que o grande Deus Criador pensou quando, confrontado com a queda, delineou o plano da salvação em favor do homem caído: "se Eu puder, estarei lá no lugar dele". E esteve mesmo...

Estabelecidas as devidas diferenças de um caso para o outro, a partir desse dia fez muito mais sentido para mim a ideia de morte substituta, expiatória, redentora que Deus escolheu em meu e nosso lugar.

Eu não pude substituir o pequeno Caleb. Mas se pudesse e ele não aceitasse eu ficaria tremendamente desapontado e desolado. Agora imagino como Deus se deve sentir quando nós tantas vezes tomamos esta desgraçada opção...

Por outro lado, e quero concentrar-me nisto, que alegria será quando cada uma de nós aceita esse mistério da eternidade que é o plano de substituição.

0 comentários: